A postura do acaso, a circunstância
volátil, o olhar desarmado das gentes, a quietude circunspecta de uma
paisagem, a espera metódica que se sabe recompensada, no deslumbre da
revelação… a tudo isto o fotógrafo se acomete, subtraindo,
à revelia do quotidiano, um momento-imagem que é linguagem viva.
E que pulula para lá dos recortes de uma moldura.
Do fragmento narrativo, em cada fotografia, à arquitectura da composição,
na sequência, António Costa Pinto abre os caminhos trilhados ao
longo de mais de 40 anos de exercício fotográfico, em Portugal
e Moçambique, oferecendo, na realidade timbrada por tons de cinza e alvorada,
a sua vivência de um tempo. Porque é entre a realidade objectiva
e a objectiva do artista que se ensaia, afinal, esta arte.